Nossa História

Em sua “Chorografia Histórica da Província de Goyaz”, publicada em 1824, o governador de armas da província de Goiás, Brigadeiro Raymundo José da Cunha Mattos, afirma que o arraial do Catalão surgiu no ano de 1820 (Cf. 1979, p. 37). Tendo se passado quase vinte anos do primeiro batizado realizado no Sítio do Catalão, em 1821, há um pedido dos moradores do “lugar denominado Catalão” ao imperador, para erigir ali uma capela. O príncipe regente, Dom Pedro I, em 6 de novembro do mesmo ano, passou uma provisão régia, concedendo a licença para construir a capela. Essa provisão teve o seu registro e a ordem de “cumpra-se”, na Vila de Meia Ponte, em 7 de julho de 1822.

Curiosamente, um pouco antes de receber a licença oficial, a capela já estava pronta, pois já haviam levado adiante a obra e, antes mesmo da autorização para construir, os moradores da povoação fizeram o pedido de uma nova autorização: o pedido para celebrar a missa na capela recém-construída, que foi denominada com o orago de Nossa Senhora “Madre de Deos”, conforme o português arcaico. No dia 8 de julho de 1822, um dia após o “cumpra-se” da Provisão Régia, o Padre José Joaquim Pereira da Veiga, governador da capitania, concedeu a autorização para o segundo pedido:

“Faço saber que atendendo Eu a representação que fizerão os moradores do lugar denominado Catalão da Freguesia de Santa Cruz e o Beneplácito Régio que me foi apresentado: Hei por bem conceder licença para que se possa Celebrar o Santo Sacrifício da Missa na Capella da Senhora Madre de Deos.”

No mês seguinte, em 4 de agosto de 1822, o padre Antônio Joaquim Teixeira, pároco de Santa Cruz, realizou o primeiro batizado na recém-construída capela de Nossa Senhora Madre de Deus.

O pároco permaneceu em Catalão ainda até o dia seguinte, período em que foram feitos 12 batizados. Porém, oficialmente, o “cumpra-se” da provisão régia, passado pelo governador da capitania aos paroquianos de Santa Cruz, somente foi lido no dia 28 de agosto de 1822.

A autorização para a construção de uma capela expedida pelo então Príncipe Regente Dom Pedro I em julho de 1822, a Capela Nossa Senhora “Madre Deus” – Mãe de Deus, fez com que o Distrito ganhasse mais moradores e, pouco depois, o estabelecimento de um Curato, com um padre cura residente (VAZ, 2022, p. 77-78).

Em 31 de julho de 1835, o curato do Catalão foi desmembrado de Santa Cruz e elevado à condição de paróquia colada, pela Resolução Provincial n. 19. O Padre Francisco Xavier Matozo recebeu a provisão em 5 de janeiro de 1836 e se tornou o primeiro pároco encomendado de Catalão (VAZ, 2022, p. 81).

As primeiras assistências dos padres em Catalão foram:

– Padre Dr. João Lopes Camargo – Pároco de Santa Cruz de Goiás (1759-1793). Com sua licença, o Pe. Lourenço Gomes de Carvalho saiu em desobriga no Sítio do Catalão no ano de 1784.

– Padre Lourenço Gomes de Carvalho – Era coadjutor do Pároco de Santa Cruz de Goiás. Dos registros mais antigos existentes, ele é o primeiro que consta a passar pela região em desobriga e batiza no “Cítio do Catalam” e no “Cítio dos Cazados” em 1784.

– Padre Francisco de Godoy Coelho, com autorização do Pároco de Santa Cruz de Goiás passou em desobriga batizando no “Pouso dos Casados”, em 1790.

– Pe. Francisco José de Gouveia Sá e Albuquerque – Pároco de Santa Cruz de Goiás (1797-1820). Em setembro de 1806 passou em desobriga batizando no Sítio dos Casados, no Sítio do Riacho, Sítio do Paraíso (hoje território de Ouvidor-GO).

– Pe. Gregório Coelho de Moraes – Pároco da Aldeia do Rio das Velhas, com autorização do Pároco de Santa Cruz de Goiás, passou batizando em desobriga em abril de 1804 no Sítio do Catalão, no Sítio dos Casados, e no Sítio do Riacho.

– Padre Antônio Joaquim Teixeira – Pároco de Santa Cruz de Goiás (1820-1844), a quem pertencia o território do novo arraial. Foi o primeiro a celebrar na Capela recém-construída, na data de 4 de agosto de 1822. Designou Padres Capelães para residirem no arraial.

– (1º Cura residente) Padre Felisberto da Fonseca Coutinho – 30/05/1823-1826.

– (2º Cura residente) Padre Manoel Luiz da Silva Alcobaça – 22/02/1826-1829.

– (3º Cura residente) Padre Francisco de Azevedo Coutinho – 22/01/1829-1835.

– (4º Cura residente e 1º Pároco Encomendado) Padre Francisco Xavier Matozo – Assumiu o Curato em 1835, sendo seu primeiro registro no livro de batizados em 22/06/1835. Posteriormente, com a criação da Paróquia, recebeu a provisão de Pároco Encomendado de Catalão em 05/01/1836. Seu último registro de batismo data de 16/11/1838. OBS: Há uma lacuna nos registros entre 16/11/1838 a 26/12/1839.

– (2º Pároco Encomendado) Padre Manoel Camelo Pinto recebe a provisão de Pároco em 09/05/1838, mas parece ter demorado a tomar posse da Paróquia, pois seu primeiro registro no livro de batizados data de 26/12/1839.

– (3º Pároco Encomendado e 1º Colado) Cônego Luiz Antônio da Costa – Recebeu a provisão de Pároco Encomendado de Catalão, em 15 de março de 1855. Através do decreto Imperial de 11 de dezembro de 1854, foi apresentado como Pároco Colado e, por despacho do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios, de 9 de março de 1855, foi recebida a resposta do aceite da proposta do falecido Bispo. Em 6 de março de 1856, representado por seu procurador, o Padre João Manoel de Meneses, foi confirmado oficialmente como Pároco Colado de Catalão.

– (4º Pároco) Monsenhor Francisco Ignácio de Souza – No início do segundo semestre de 1895, foi provisionado Cooperador de Catalão. Com a morte do Côn. Luiz Antônio da Costa, em 9 de outubro recebeu provisão de Pároco Encarregado, permanecendo até 6 de julho de 1899, quando tomaram posse os agostinianos. OBS: Com a Proclamação da República deixam de existir os Párocos Colados.

Presença dos Padres Agostinianos na Paróquia N. Sra. Mãe de Deus

Os Agostinianos espanhóis possuíam uma casa de missão nas Filipinas onde acabou sendo estruturada uma Província Agostiniana. A República das Filipinas foi colônia da Espanha, mas com o fim da colônia e a sua independência, o crescente ódio contra os espanhóis fez com que também os Agostinianos fossem expulsos dali em.

Estando à procura de um novo local para se estabelecerem, eis que se encontram com um Bispo à procura de uma nova Congregação religiosa para lhe auxiliar nas Paróquias de sua Diocese. Dom Eduardo Duarte da Silva, Bispo de Goiás, presente no Concílio Latino-Americano realizado em Roma, assinou o contrato com o Pe. Fr. Tomás Rodríguez, Superior Geral da Ordem Agostiniana, em 15 de maio de 1899, que já havia feito contato e o acordo com o Provincial das Filipinas.

No dia 26 de maio de 1899, os Agostinianos partiram do Porto de Barcelona. Chegaram ao Brasil em 17 de junho, e, após descansarem da viagem por alguns dias no Rio de Janeiro, partiram para Goiás. Chegaram a Catalão em 2 de julho e tomaram posse dessa paróquia quatro dias depois. Seu primeiro Pároco foi o Pe. Joaquim Fernandes (OSA). Assim, os Agostinianos, recém chegados das Filipinas, assumiram a responsabilidade do apostolado das paróquias de Catalão e de Entre-Rios. Em Entre-Rios tomaram posse em 13 de agosto, e o primeiro deles a receber provisão de Pároco foi o Pe. Blaz Barrioz (OSA), ou “abrasileirado”, se convencionou chamá-lo, de Pe. Braz Barrios.

Foram 17 os agostinianos que assumiram as responsabilidades de Pároco em Catalão-GO, sendo que os Padres Gabino Cabrera e Agostinho Camarzana foram os Párocos com maior longevidade e por mais de uma vez.

Os Agostinianos deixaram a Paróquia e por três anos os Padres Diocesanos assumiram a Paróquia, de 21/12/1940 a 23/01/1944.

Presença dos Frades Franciscanos – OFM – na Paróquia N. Sra. Mãe de Deus

Em 28 de Janeiro de 1944 assumem a Paróquia os Frades Franciscanos – OFM da Província de Holy Name de Nova York.

Referências

Pe. Murah Rannier Peixoto Vaz

Padre da Diocese de Ipameri

O texto abaixo foi extraído da obra: VAZ, Pe. Murah Rannier Peixoto; LEANDRO, Marcos Rossiny. No Sertão do São Marcos: Desenvolvimento histórico do Município de Campo Alegre de Goiás, Goiânia: Kelps, 2022, pp. 77-78; p. 81.

Cf. Livro 8, Provisões, pastorais e provimentos das visitas Santa Cruz, Prelazia de Goiás – 1782-1805, págs. 33-verso e 34.

L.23 Registros de Decretos, Ofícios da Mesa de Consciência e etc. 1822-1853, da Cúria de Sant’Anna de Goiaz, p.6.

Cf. L. 12, Registro das faculdades, ordens e portarias dirigidas à Vigararia de Meia Ponte – 1791-1832, pág. 59/v e L. 8, p. 53/v-54.

12, Registro das faculdades, ordens e portarias dirigidas à Vigararia de Meia Ponte – 1791-1832, p. 59-v a 60.

Livro de batizados de Santa Cruz, Nº 2, 1784-1823, p. 220/v.

32, Termos de oposição às Igrejas vagas, registros de postos e cartas de apresentação, letras de confirmação e termos de colação – 1847-1865, p. 62-63.

Cf. Jornal Estado de Goyaz, edição Nº 169, de 21 de novembro de 1895, p. 4.